quinta-feira, 12 de março de 2015

A primeira sessão

Como já foi dito, este projeto começou por ser implementado numa turma vocacional do 8º ano em parceria com a professora de Informática da turma. Quando cheguei à sala de aula, já os alunos tinham tido várias aulas de Scratch e a mim coube-me iniciá-los na eletrónica. Nesta primeira sessão, foi necessário explicar rapidamente em que consiste a corrente elétrica e a necessidade da diferença de potencial. Introduzi também o LED, indicando-lhes como reconhecer o ânodo e o cátodo e a importância de o ligar convenientemente polarizado.

Neste sessão foi também essencial a apresentação da breadboard e as respetivas conexões.

Uma vez que o tempo de atenção dos alunos com que trabalho é limitado, houve que rapidamente passar para a prática, com a alimentação da breadboard a partir do arduino e a ligação de um LED, seguida da ligação de um circuito série LED - interruptor de pressão.




Como é evidente, nesta aula o arduino foi usado como fonte de alimentação e não foi programado. O facto dos alunos aprenderem a alimentar a breadboard a partir do arduíno e fazer a ligação correta de um LED é, no entanto, fundamental para prosseguir com os projetos seguintes.

Um recurso inestimável para preparar estas sessões é o fritzing. Sem ele tornar-se-ia muito mais complicado explicar grupo a grupo, estando os alunos numa fase tão inicial da aprendizagem, as montagens a realizar.

Para além de permitir a imagem do circuito em breadboard, o fritzing permite também, a partir desse esquema, o desenho esquemático do circuito e a conceção do respetivo circuito impresso. Deixo aqui o esquema correspondente à série do LED com o interruptor usado na primeira sessão deste projeto:



E o arduino?



Bem...a minha experiência resume-se ao arduino Uno.
O arduino em si é bastante acessível, sendo possível adquirir placas por cerca de 20€ ou menos. A questão é que, para trabalhar com o arduino em sala de aula, é necessário ter disponível alguns consumíveis de eletrónica que se podem resumir a alguns LEDS, resistências e interruptores de pressão, caso se esteja a fazer um número limitados de sessões, mas que terão de evoluir para outros componentes como sensores e motores caso as sessões se prolonguem no tempo e queiramos evoluir para circuitos mais interessantes.
Para meu uso pessoal, adquiri um "Arduino Starter Kit", comercializado pela Inmotion, que me custou um pouco mais de 90€ (sem portes). Para além do arduino, este kit apresenta muitos componentes eletrónicos desde os mais básicos como LED e resistências a sensores, servomotores e até display de cristais líquidos. Para além disso, vem acompanhado com um livro, em inglês, com propostas de vários projetos que podem ser interessantes para usar em sala de aula. A programação proposta no livro está, naturalmente, em C.




Há outros kits, mais baratos, sem livro, com o fundamental para trabalhar em sala de aula e que, na Inmotion, rondam os 60€ (sem portes).

É importante ter em conta que o número de alunos por grupo não pode ser excessivo. No meu caso, estou a trabalhar com 20 alunos e tenho 10 arduinos, o que é ótimo, mas compreendo que só o consigo porque uma parceria com a ANPRI o permitiu. Em escolas sem esta oportunidade, a opção poderá passar por um projeto financiado. Em alternativa, dependendo do nível sócio-económico da maioria dos alunos, outra solução poderá serem os alunos a financiar os seus kits, ficando com eles no final do ano.

A comunicação entre o computador e o arduino pode ser feito pela interface disponibilizada no site Arduino.

Será através desta interface que colocaremos o programa em C disponibilizado pelo S4A referido no post anterior e a partir do qual faremos o upload para o arduino. Como na internet há inúmeros projetos com a programação em C já elaborada, caso os queiramos implementar, será também esta a interface utilizada.

quarta-feira, 11 de março de 2015

S4A - Scratch for Arduino


Quando surgiu a ideia de levar o arduino para a sala de aula, tornou-se evidente que dado os conhecimentos dos alunos envolvidos - 8º ano - a opção teria de passar por uma linguagem de programação acessível e que não fosse fator de desmotivação.
A linguagem Scratch foi a solução mais óbvia, uma vez que os alunos já trabalhavam com ela na disciplina de Informática.
Na verdade, o Scratch foi desenvolvido pelo MIT para crianças e é com muita facilidade que alunos do ensino básico (muitas vezes logo no primeiro ciclo) se apropriam dos conceitos básicos e rapidamente evoluem programando histórias ou pequenos jogos. Para saber mais, o melhor é mesmo aceder à página do MIT.

O software S4A é uma adaptação do scratch para arduino, permitindo programá-lo usando os blocos caraterísticos do Scratch.

Para usar este software, há que descarregá-lo do site do S4A
Para além disso, é necessário descarregar um programa específico criado pelo S4A e programar com ele o arduino. Só depois é possível a comunicação entre o S4A e o arduino.

O ficheiro de comunicação referido, limita a opções de entradas / saídas do arduino, que ficam definidas de acordo com a imagem seguinte:

Suponho que seja possível alterar esta definição de entradas / saídas a partir do ficheiro disponibilizado pela S4A, mas ainda não me debrucei sobre o assunto. Ficará para quando tiver tempo para tal...

Sobre este blog

Este pretende ser um blog de partilha de materiais e experiências no âmbito da aplicação da programação e eletrónica em ambiente escolar.
Não é um site de pedagogia nem de produtos acabados. É antes um diário de uma professora que um dia se lançou numa turma de 8º ano do ensino vocacional a ensinar a programar placas arduíno a alunos que se de programação sabiam pouco, de eletricidade e eletrónica nada sabiam. 
Aqui deixarei as minhas reflexões e os materiais que for desenvolvendo.